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segunda-feira, 18 de junho de 2007

Querência amada


Um momento meio narcisista neste blog, mas deu na telha e eu vou postar. Trata-se de uma gravação meio antiga que achei aqui, onde este que vos tecla toca o hino do Rio Grande na guitarra.
Quem tiver paciência e alguma curiosidade, que ouça.


quarta-feira, 14 de março de 2007

Quero e vale 4!

Depois daquele post sobre as Gauderiadas, que me rendeu algumas críticas positivas, acho que é uma boa idéia falar um pouco mais sobre o meu estado. Dessa vez, escolhi um assunto um tanto quanto peculiar: o Truco.
Sim. Pode ser que você, brasileiro de outra querência, já conheça o Truco. Mas é pouco provável que conheça o legítimo Truco Gaudério, jogo de cartas oficial do MTG (Movimento Tradicionalista Gaúcho). Esta variante do truco cego ou espanhol é uma diversão muito apreciada por aqui, em tudo quanto é lugar em que se possa reunir um número par de pessoas e gritar um pouco. Há pouco constatei, também, que o Truco é praticamente uma unanimidade nas universidades daqui (fato confirmado pelo jornal Zero Hora de não-me-lembro-quando). Inclusive, de maneira espantosa, já pude presenciar jogatinas na própria fila do RU (!). Na UFRGS, em especial, para onde se olha há uma rodinha de estudantes estafados procurando relaxar disputando uma partidinha.
O Truco gaudério é, por definição, um jogo de união, confraternização. A própria regra da FECARS impõe que é expressamente proibida a prática de apostas, de qualquer tipo. E é isso que torna o truco um dos meus esportes favoritos (ao lado de pingue-pongue).
Além de tudo, o Truco é um jogo engraçado. A bravata, a originalidade dos blefes e a interminável risada de quem tem o espadão são o que torna cada partida uma diversão.
Gostou? Então compre um baralho espanhol, aprenda o jogo (é simples!) e ajude a disseminar a tradição gaudéria pelo Brasil afora. Não tem dinheiro para um baralho? Não tem problema! Acesse www.trucolivre.com.br, cadastre-se e conheça este jogo FLOR de especial!

domingo, 11 de março de 2007

Gauderiadas

O meu Rio Grande é, de fato, um estado muito peculiar. Por aqui, ninguém pronuncia os esse do final das palavra no plural, ninguém chama você de você e ninguém vai na padaria comprar um pão francês. A nossa bebida predileta consiste num chá amargo e quente de Ilex Paraguaiensis, sorvido de uma cuia por meio de um dispositivo metálico chamado bomba. Aqui, domingo sem churrasco não é domingo, churrasco sem costela não é churrasco e costela sem matambre não é costela. Também não sabemos o que são ladeira, farol, ponto de ônibus. Temos apenas a leve impressão de que sejam coisas parecidas com lomba, sinaleira e parada.
Mas uma coisa que com certeza chama a atenção de muitos visitantes são os ditos e expressões que usamos com certa naturalidade. Se você, amigo paulista, chega aqui e escuta que tá fazendo um frio de renguear cusco, talvez fique meio desnorteado, sentindo-se mais por fora que arco de barril. Isso é perfeitamente normal. É comum pessoas não acostumadas com o nosso linguajar ficarem mais perdidas que cego em tiroteio. É possível também que alguém zombe do seu estado de confusão, alguém mais folgado que colarinho de palhaço. Mas não se preocupe, se você for esperto que nem gringo de venda, logo estará habituado a tudo isso. Vai ser mais fácil que tirar doce de piá.

Aí vai uma seleta lista das melhores Gauderiadas disponíveis por aí, de acordo com o site http://www.geocities.com/Athens/Acropolis/2776/gauderio.html :

-->Aumentar mais que casa de ladrão.

-->Aumentar mais que barriga de prenha.

-->Grudado que nem bosta em tamanco.

-->De boca aberta que nem burro que comeu urtiga.

-->Mais amontoado que uva em cacho.

-->Afiado que nem navalha de barbeiro caprichoso.

-->Mais alto que cavalo de oficial.

-->Mais angustiado que barata de ponta-cabeça.

-->Mais velho que mijar pra frente.

-->Mais apertado que alpargata de gordo.

-->Mais apertado que rato em guampa.

-->Mais apertado que coleira de guaipeca.

-->Mais assanhado que lambari de sanga.

-->Mais bonita que laranja da amostra.

-->Mais branco que perna de freira.

-->Mais esburacado que poncho de calavera.

-->Mais chato que chinelo de gordo.

-->Mais ciumenta que mulher de tenente.

-->Mais comprido que bombacha de gringo.

-->Mais comprido que esperança de pobre.

-->Mais comprido que suspiro em velório.

-->Mais comprido que xingada de gago.

-->Mais enrolado que cristal pra viagem.

-->Mais enrolado que lingüiça de venda.

-->Mais curto que coice de porco.

-->Mais curto que estribo de anão.

-->Mais firme que prego em polenta.

-->Mais firme que palanque em banhado.

-->Mais solto que bolacha em boca de véia.

-->Mais eficiente que purgante de maná.

E por aí vai...